Raio X

Raio X Serginho Pacheco

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Mesmo na correria de seu trabalho, o estilista Sergio Pacheco (mais conhecido como “Serginho” Pacheco) não deixa a simpatia e a gentileza de lado. Em meio às várias encomendas de vestidos, ele tirou um tempinho para responder às perguntas do Raio X e contar um pouco mais sobre seus gostos e preferências.

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Ao longo de mais de 30 anos, o estilista gaúcho construiu uma carreira incrível, sendo o costureiro oficial de quatro gerações de famílias tradicionais do Estado. De sua mente e mãos já saíram trajes belíssimos de alta costura e para eventos e ocasiões formais. Noivas, debutantes e diversas mulheres tiveram a honra de usar suas criações, que continuam fazendo sucesso, como prova a agenda apertada de Serginho.

Um momento marcante que tive com ele foi sua participação, em 2016, da “Noite de Top Model” do Catálogo de Brotos, produzindo 5 das catalogadas com vestidos deslumbrantes. Foi realmente inesquecível ver as meninas se transformando em belas mulheres com suas criações.  

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No atelier que leva o seu nome, localizado na Rua Barão de Santo Ângelo, 299, é possível encontrar também diversos trajes prontos, com o toque único de Serginho. Além dos trajes de gala, a marca também produz sapatos que unem conforto e elegância.

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Curiosos para saber mais sobre ele?

Qual teu signo. Acredita em horóscopo?
Sou do signo de capricórnio. Na verdade, não sou uma pessoa muito ligada em horóscopo. Eu não desacredito, mas acho que as característica que eu sei do meu signo não combinam comigo.

Qual cidade do mundo em que moraria e por quê:
Eu gosto muito de Porto Alegre. Aqui fiz minha vida, tenho minha família e tenho a minha profissão. Como meu trabalho é bem regional, talvez se mudar daqui seja uma coisa complicada. Eu gosto muito de outras cidades, como Nova York, São Paulo, mas para ir, visitar, me atualizar. Porém, ao final de tudo, gosto de voltar a Porto Alegre, uma cidade em que me sinto bem, que é meu porto seguro.

Uma fraqueza fashion:
Não tenho muitas fraquezas fashions. Na verdade, eu sou uma pessoa anti moda. Eu sempre falo que eu não faço moda, eu visto pessoas, que é uma coisa diferente. E eu particularmente sou uma pessoa muito clássica, não gosto de ousadias nem de coisas muito modernas.

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Cite três peças coringas que você tem no armário e adora:
Eu me visto sempre da mesma forma, não tenho grandes invenções. Eu gosto muito de camiseta polo, em geral da marca Lacoste. Gosto de calças em linho ou sarja, e sempre naquele modelo clássico, com bolso faca, mais ajustada, dependendo da época, em geral mais slim. E eu gosto muito de camisa clássica, em tecidos lisos, listradinhos.

Um ícone/inspiração fashion e profissional:
Internacionalmente eu gosto muito de Elie Saab, Yves Saint Laurent na época do seu auge e Valentino. Me inspirei e me espelhei muito no trabalho do Rui Spohr. Acho que muito do que eu sou hoje eu devo a essa inspiração. Rui foi meu grande ídolo e era a minha referência mais próxima de alta costura, alta costura verdadeira, principalmente na questão ética, na forma de atender às clientes, da questão de horários, que ele sempre foi muito pontual. Eu baseei todo o meu trabalho e a forma como eu trabalho hoje na forma como o Rui sempre trabalhou durante seus 60 anos de alta costura.

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Estilista Rui Spohr


Um filme e livro que recomendas:

Acho que toda a pessoa deveria assistir, pelo menos uma vez na vida, a todos os filmes do Hitchcock. São filmes que têm um humor, um sarcasmo muito interessante. No nível visual, os cenários são muito especiais, muito ousados para a época. Os figurinos também são muito bacanas. São filmes imperdíveis e com histórias excepcionais.
Todos os livros da Marguerite Yourcenar são maravilhosos. Li quase todos. Em geral, eu leio muito artigos, mas não sou de me dedicar muito a ler livros.



Qual teu programa preferido para fazer em Porto Alegre:
Meu programa preferido são restaurantes. Eu gosto de comer muito bem, apesar de ser magro, eu como muito bem. Eu gosto de passear em todos os restaurantes. Às vezes eu vou sozinho mesmo, gosto de sentar numa mesa bem discreta e experimentar o cardápio inteiro do lugar (risos).

Do que não abre mão hoje em dia:
Hoje em dia eu não abro mão de ter uma boa assessoria, tanto no meu trabalho quanto na minha casa. Na minha casa tenho uma funcionária que faz o trabalho por lá, que eu não tenho tempo. E aqui no meu trabalho também tenho várias pessoas que cuidam da minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Eu delego os poderes, as coisas e aí tudo acontece.

Um restaurante que recomendas:
Um dos restaurantes que eu mais gosto em Porto Alegre é o Sakura. A comida é bem cuidada, é bacana, eu sou muito bem atendido lá.

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Uma mania:
Uma das minhas principais manias é a organização. Eu tenho um TOC e acho que isso, inclusive, facilita para que eu tenha um trabalho muito bom, caprichoso, excepcional. Gosto muito das coisas bem, bem organizadas no meu trabalho, na minha casa e em tudo o que faço.

Uma peça marcante que produziste:
Fiz muitas peças de roupas que me marcaram e que, de uma certa forma, até acabaram inspirando o trabalho de outros profissionais. Um dos vestidos que mais me marcou foi um dos primeiros vestidos de debutante que eu fiz para a Debora Ioschpe (designer de jóias gaúcha), todo feito em gazar de seda pura, drapeado de cima a baixo. Foi realmente uma peça bem trabalhosa e que, para a época, era muito ousado no aspecto da quantidade de tecido e na riqueza que ele tinha de manufatura.

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Qual a parte mais recompensadora do teu trabalho?
É ver que as pessoas ficam felizes vestindo a minha roupa e que, de uma certa forma, eu participo de momentos muito especiais na vida delas. Também é receber elogios de pessoas às vezes até desconhecidas, que nem sabem que aquele trabalho é meu. O reconhecimento é uma coisa muito recompensadora. Ao final da vida, o que sobra da pessoa é o legado que ela produz, e normalmente esse legado está ligado ao nosso trabalho, a nossa atividade.

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Noiva com vestido Sergio Pacheco

O que faz, na tua opinião, um traje se tornar deslumbrante no corpo feminino?
O traje deslumbrante é aquele em que o profissional consegue captar a essência da pessoa que vai usar, as suas características, e consegue valorizar a parte do corpo que é mais favorável para a pessoa. Vai depender de cada mulher. Como eu digo, eu não faço moda, eu visto pessoas, então eu tenho que descobrir na pessoa o que ela tem de bacana, de bonito, e valorizar isso. A roupa tem que ser feminina, suave, delicada. De forma alguma ela pode ser vulgar. Quando uma roupa é vulgar e exagerada, ela acaba sendo feia. Eu gosto de ostentação velada. A ostentação exagerada estraga qualquer coisa, qualquer roupa, qualquer decoração, qualquer festa. Ostentação não está com nada.

De onde surgiu a vontade de se tornar estilista?
Eu nunca tive vontade especialmente de ser estilista. Eu trabalhei inicialmente por questão de sobrevivência. Eu vim de uma família muito simples e eu precisava trabalhar. Comecei a fazer o meu trabalho para me sustentar e, por acaso, as coisas foram dando certo, eu vi que tinha talento. Não tenho nenhuma formação em moda, meu trabalho é todo autodidata. Nunca tive essa vontade de ser estilista: quando eu vi, eu era. Até hoje eu gosto muito do meu trabalho, tenho muito orgulho dele. Mas eu não sou vaidoso demais em relação a isso. Minha vaidade é bem comedida, prefiro ser humilde em relação ao que faço.

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De onde busca inspiração para as peças que produz?
Minha inspiração vem das minhas clientes mesmo, entendendo as coisas que elas gostam. Não adianta eu me inspirar numa roupa feita internacionalmente, de um dos grandes costureiros, se aquilo não vai entrar dentro da nossa realidade e do gosto geral das pessoas. Tu vê a quanto tempo estão tentando subir a cintura das calças e não conseguiram? Não adianta. Tem que seguir o fluxo cultural, o que as pessoas querem vestir, isso que é importante.

Projetos futuros:
Como estou fazendo 30 anos de carreira, atualmente estou fazendo um trabalho buscando enfatizar isso. Tenho alguns projetos para poder comemorar esse marco. Também tenho uma ideia de aprimorar uma linha de vestidos de noiva prontos, de prêt-à-porter, com um acabamento bacana, de alta costura. E também busco atingir uma quantidade maior de pessoa. Mas nessa minha loucura de tanto trabalho, de tantas coisas, não dá para ficar pensando em muitas coisas diferentes e deixar de atender às minhas clientes com excelência.

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2 Comments

  1. Maria Berenice Costaguta Matas Solés

    17 de Março de 2017 at 19:38

    Excelente entrevista com o iluminado Sergio Pacheco!! Sou encantada com os vestidos que ele cria!! Desde o casamento da minha filha ( ele fez seu vestido de noiva, o meu e o da minha mãe) sempre que penso em vestido lindo, diferente e com classe vou no seu atelier.

  2. Júlia Fleck

    21 de Março de 2017 at 17:57

    Que lindo! Obrigada pelo depoimento, Maria Berenice! <3

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